domingo, 5 de junho de 2011

Cartagena das Índias, o pedaço caribenho da Colômbia.


Imagine uma cidade histórica, rica em arquitetura e cercada por uma muralha onde, do outro lado, está o Mar do Caribe. Sim, existe um lugar assim. E não à toa serviu de inspiração para diversos livros de Gabriel Garcia Márquez. Cartagena das Índias, no extremo norte da Colômbia, tem se tornado um destino cada vez mais comum e uma opção barata de se conhecer as águas azuis do Caribe.

Playa Blanca

Os 11km de muro de pedras que separam a parte histórica da cidade da área mais moderna, foram construídos ainda em 1586 para proteger a região dos ataques constantes dos piratas ingleses. Hoje, em vez de soldados, a muralha é dominada por turistas encantados pelo pôr do sol e a energia boa que tem no local. Sobre as muralhas também estão alguns dos melhores restaurantes e cafés, de onde é possível ter uma visão panorâmica da cidade histórica.

A muralha

Patrimônio Cultural da Humanidade, a Cidade Velha, como é chamada, tem como principais atrações museus, centros culturais, lojas de artesanatos, igrejas, praças e a própria arquitetura dos sobrados pintados com as mais diversas cores. A dica é simplesmente deixar se perder lá dentro. Já do lado de fora, além do mar (que não é o mais bonito da região), há uma cidade moderna e dinâmica.

Outras opções de passeios

Castillo de San Felipe – Fortaleza desenhada por engenheiro holandês e construído em 1657 pelos espanhóis com função de proteger dos ataques de piratas, enquanto os espanhóis enviavam ouro para a Europa.

Colina de La Popa – Fica perto do Castillo de San Felipe está a 150 metros de altura, o que proporciona uma vista maravilhosa da região.

Palácio da Inquisição - Vale uma visita para conhecer onde a Inquisição torturava, julgava e condenava homens acusados de crimes religiosos. Fica na ‘Plaza de Bolivar’, no centro histórico.

Centro histórico

Mas é tudo tão perfeito assim? Não tem nada ruim lá não? Tem sim. O povo de Cartagena parece ter feito curso para ser chato. Abordam os turistas durante todo tempo pedindo ou oferecendo algo.  Essa é a parte ruim da viagem, além de uma certa dificuldade que você pode ter para encontrar um hotel bom e barato. De qualquer forma, não escolha, em hipótese alguma, o Costa Del Sol.

O paraíso em forma de ilhas

Depois de fazer uma imersão na história da cidade de Cartagena, é hora de mergulhar nas águas azuis do Caribe. A praia urbana, Bocagrande, não é a melhor. O mar é escuro e a estrutura deixa a desejar. A melhor opção é ir para uma das ilhas próximas. O destino mais procurado, e que mais se encaixa na visão de Caribe, é a Playa Blanca.

Playa Boca Grande

A praia fica a 45 minutos de barco e o passeio pode ser organizado pelas diversas agências de turismo espalhadas pela cidade ou mesmo pelos próprios hotéis. Custa cerca de R$ 50 reais e inclui um almoço típico com peixe pescado na própria região e um inesquecível arroz de côco.



Lá o assédio é ainda pior. É preciso ter muito jogo de cintura para se livrar dos inúmeros vendedores e massagistas. Mas nada, absolutamente NADA tira o brilho daquele visual único. Sol, mar azul, água morna, areia branca e coqueiros. Um verdadeiro paraíso.

Esse e outros passeios podem ser feitos no esquema bate e volta. Saindo no início da manhã e voltando para a cidade no fim da tarde. Outra opção são as Ilhas do Rosário. Um arquipélago com 27 pequenas ilhas dentro de uma reserva natural. A água não chega a ser cristalina, mas o local é perfeito para a prática do snorkeling. Tem também a ilha conhecida como Baru, muito parecida com a Playa Blanca e com a mesma distância da cidade.

Noite

Cartagena é uma cidade relativamente pacata. Há algumas opções de boates e bares movimentados, mas nada tão badalado. Uma boa pedida é a tradicional Chiva. O ônibus-bar-discoteca que circula pelas ruas ao som de música colombiana e muita bebida. Durante o percurso, são distribuídas garrafas de rum e coca-cola para uma cuba libre a bordo. O trajeto dura cerca de duas horas e custa aproximadamente R$ 22.

Hard Rock Café no Centro Histórico

Como chegar

De Bogotá, são 1090 Km até Cartagena. Nem pense em tentar ir de ônibus. Isso levaria 24 horas das suas preciosas férias. Faça a opção pelo avião sem medo de errar. Na Colômbia há uma companhia área Low Cost que surpreende pelo bom serviço (se comparada a outras companhias que trabalham com a ‘política’ mais econômica). É a Aires. Uma passagem de ida e volta Bogotá-Cartagena sai por R$ 250, em média.   

Clima

Se vem do Brasil e passa por Bogotá, prepare-se para fazer uma mala que combina cachecol com biquíni. Cartagena fica perto da linha do Equador. Sinônimo de sol forte e temperatura alta (média de 30 graus).

Informações gerais

Pegue um voucher para o táxi na parte externa do Aeroporto. O papel já vem com o destino e o preço impressos, e o pagamento é feito ao motorista. Diferente de Bogotá, não existe taxímetro nem tabela. O preço é combinado antes com o motorista. 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Colômbia, estoy aquí!

Praça Simon Bolívar

Por Polliana Ribeiro

Como assim, Colômbia? Por que esse destino? Essa é a pergunta mais comum quando você avisa que vai passar as férias na Colômbia. Cocaína, Pablo Escobar, Farc, violência e Shakira são algumas das coisas que chegam à cabeça de alguns, quando pensam nesse país. Não faz mal. Brasil é também sempre lembrado pelo carnaval, futebol e praia, muita praia. Como se o país fosse todo banhado pelo mar, a festa de carnaval fosse realizada quatro vezes por mês e todos os brasileiros nascessem craques no futebol e no samba. 

A Colômbia é um país que sofre com a imagem negativa das guerrilhas e do narcotráfico, mas surpreende pela diversidade, a preservação da cultura, a modernidade e pela riqueza das paisagens. A capital Bogotá deve ser parada obrigatória, como uma porta de entrada ao país. Dinâmica, moderna e com cerca de oito milhões de habitantes, a cidade é equivalente a São Paulo. Um lugar que combina balada, diversão, história, cultura e boas compras. Se interessou? Então espere para saber mais sobre algumas das ilhas caribenhas ligadas a esse país no próximo post.

  • O que tem para fazer em Bogotá?

Museu do Botero

Museu do Botero - Calle 11, 4-41, Centro, tel. 343-1331. Além das obras de Botero, tem Renoir, Picasso, Dali, Monet, Matisse e outros. Fecha as terças feiras. Nos outros dias aberto das 9 às 19h; domingos, das 10h às 17h. Entrada franca.

Museu do Ouro

Museu Do Ouro - Calle 16, 5-41, Centro, tel. 284-7450. A maior coleção de artefatos de ouro da América Pré-Colombiana. Aberto de 3ª a sábado, das 9 às 19h; domingos, das 10h às 17h. Entrada: $2.800, domingos de graça.

Museu Nacional - Cra. 7, 28-66, tel. 334-8366. Construído em 1863 é o mais antigo do país. Arqueologia, etnografia. arte indígena e afro-colombiana. Aberto de 3ª a sábado, das 10 às 20h; domingos, das 10h às 16h.

Museu da Polícia

Museu da Polícia – todo o acervo da polícia colombiana, incluindo uma sala inteira em “homenagem” a Pablo Escobar.

Praça Simon Bolívar - ponto de encontro dos mais importantes prédios históricos. Todos estão muito bem conservados. As fotos tiradas nesse ponto têm sempre como fundo as mais belas montanhas.

Monserrate

Montesserrate - Monte mais alto da região de onde é possível avistar toda a cidade de Bogotá. É imperdível! Lá em cima tem uma igreja, restaurantes, feira de artesanato e comidas populares. Há dois meios de transporte até lá: trem e teleférico. Para experimentar, suba com um e desça com o outro. O ingresso é o mesmo: ida e volta custa 8 mil pesos nos finais de semana e 15 mil nos dias úteis.

La Candelária - região central da cidade, onde ficam os museus, casas antigas e bem coloridas.

Zona Rosa - concentra três shoppings, muitos bares, boates, restaurantes e bons hotéis.

  • Onde se hospedar?

Zona Rosa: também conhecida como Zona T, é onde fica toda badalação. A área mais descolada da cidade, repleta de bares, boates e shoppings centers.

Candelária: área histórica e próxima dos pontos mais turísticos.

  • Quantos dias ficar?

Três dias é o suficiente para conhecer bem a cidade sem correria. Mas se pretende fazer compras, reserve um dia a mais.

  • Dicas que você só consegue com quem já foi: 
Ruas de Bogotá


  1. Não faça um roteiro muito intenso logo no primeiro dia. Bogotá está a 2.640 metros acima do nível do mar. É comum o turista brasileiro sentir mais cansado que o normal por causa da diferença de altitude. 
  2. Não faça graça com o nome dos miniônibus que circulam pela cidade (Buseta). Os colombianos sabem o que isso significa no nosso idioma.
  3. Use e abuse dos táxis. Esse meio de transporte é muito barato. Os taxímetros tabela de preços fixada no banco de trás.
  4. Ao sair do aeroporto vá até um guichê do lado direito e pegue um voucher com o valor exato da corrida de taxi.
  5. Na volta para o Brasil, é preciso ir ao guichê 18 do aeroporto pegar um papel e um carimbo para não pagar imposto de saída destinado apenas aos colombianos. 

  • Não volte sem... 
  1. Comer um dos diversos crepes, waffles e sorvetes da rede Crepe & Waffles
  2. Subir o Monserrate
  3. Se divertir ao menos uma noite nos diversos bares e boates espalhados pela Zona Rosa
  4. Comer uma típica arepa. Tem em todas as esquinas, a qualquer hora do dia e em qualquer refeição.
  5. Tomar seu café preferido no Juan Valdez Café
    
  • Como chegar

    Para chegar até Bogotá, você tem oito opções de companhias aéreas partindo de São Paulo todas com preços relativamente em conta, se comparados a outros destinos sul-americanos. Se for com milhas, melhor ainda. A passagem de ida e volta pode ser resgatada com 20 mil pontos. Há períodos promocionais em que é possível resgatar o mesmo trecho com 16 mil pontos.

    • Estimativa de gastos
    Atenção! Esses são valores médios.

    - Passagem ida e volta – R$ 1.200 de SP a Bogotá
    - Diária de um hotel bom (mas sem luxo) com café da manhã - R$ 100
    - Custo de uma refeição - R$ 20- Táxi – a maior corrida (entre o aeroporto e o hotel) - R$ 20

    • Curiosidades

    Telefones: Em cada esquina você encontra uma “banquinha de celular”. Um tipo de posto telefônico a céu aberto. Você usa ali na rua mesmo e paga pelo minuto. Uma pena que não são feitas ligações internacionais.

    Chivas:
    Um programa bem turístico é passear pelas ruas da capital em uma espécie de trenzinho. Ao som de músicas típicas e iluminação de boate, o veículo percorre os principais pontos durante o dia e também de noite.

    Segurança:
    Por todos os cantos da cidade você vê policiais armados. No início pode causar um certo espanto, inclusive porque eles costumam revistar bolsas e mochilas, mas logo se nota que eles são ótimas fontes de informação, sempre dispostos a ajudar.

    Trânsito: é caótico e a buzina não para!!!

    Presença de brasileiros: Brasileiro costuma ser praga em todos os lugares, mas na Colômbia é diferente. Não é tão comum encontrar brasileiros pelas ruas de Bogotá, o que te deixa ainda mais imerso na cultura local e torna a viagem ainda mais interessante.

    • Informações gerais

    Temperatura:
    durante boa parte do ano, a cidade mantém uma temperatura média de 15 ºC. A chuva também é bastante comum nos fins de tarde, então agasalho e guarda-chuva são recomendados.

    Idioma:
    espanhol – não é tão fácil conseguir atendimento em inglês.

    Horas de vôo:
    seis horas de São Paulo até Bogotá.

    Moeda local:
    peso colombiano

    Câmbio: R$ 1 equivale a 900 mil pesos colombianos em média. A cotação pode variar muito de uma casa de câmbio para outra. É bom pesquisar.

    Fuso horário:
    no horário de verão, duas horas a menos com relação ao horário de Brasília (GMT -04:00)

    DDI: 57

    Internet: com boa velocidade e o sistema wi-fi é facilmente encontrado em hotéis, lanchonetes, restaurantes, cafés e museus. Lan house também são comuns.

    Visto: não há necessidade de visto para brasileiros

    Embaixada brasileira em Bogotá - Calle 93, nº 14-20, 8º andar, tel: (57 1) 218-0800. De seg. a sex., das 9h às 13h. www.brasil.org.co

    PS: O título do post é um trocadilho meu. O texto estava sério demais! :D (Marcelo Lemos)

    domingo, 13 de fevereiro de 2011

    Turista do próprio blog, o retorno!

    Se tem algo que eu não posso usar como justificativa para deixar de escrever neste blog é falta de pauta. No ano de 2010 fiz várias viagens, curtas, porém interessantes e que rendem bons posts. Curitiba, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Tiradentes estão entre os destinos. Não sei quais táticas usarei para refrescar minha memória, mas é uma questão de honra falar de todas por aqui. 

    Também estou atrás de alguém profissional para dar um tapa no layout do blog. Ele está precisando de uma cara nova. Aguardem e confiem! ;)


    Até eu organizar minhas ideias e minha rotina para voltar a escrever, consegui convencer minha irmã e fiel companheira de mochila, a Srta Polliana Ribeiro, a começar a falar de suas viagens por aqui. Ela, além de escrever muito melhor que eu, viaja muito mais e tem mais a contribuir por aqui.

    Sua primeira contribuição será nos contar sobre sua recente viagem a Colômbia, um destino distante dos desejos turísticos de muita gente. Aguardem os próximos posts.

    Até breve! ;)

    domingo, 31 de outubro de 2010

    Igreja Universal do Reino de Los Hermanos

    Já dei a deixa nos dois últimos posts e também no twitter sobre onde estive no último dia 15 de outubro. Sim, meus caros! Estive cumprindo o cronograma de 2010 do meu projeto "Brasil em um final de semana", que começou por São Luís do Maranhão no início deste ano e deve finalizar com Porto Alegre logo mais em novembro. Projeto este que visa privilegiar com a minha nobre presença lugares que compõe a minha vasta lista de destinos nacionais ainda desconhecidos.  E quando eu posso somar a minha paixão por viagens com a minha paixão por música, tudo tende a ter um gostinho mais especial.

    Mas antes de falar especificamente da viagem a Recife e Olinda, preciso dedicar um post para falar do show do Los Hermanos. Já perdi as contas de quantos shows desta banda já assisti em toda a minha vida. Lembro de todos, mas alguns são memoráveis.  O primeiro que assisti no Rock in Rio III em 2001, o com Os Paralamas do Sucesso em Goiânia em 2004, o da abertura do show do Radiohead em São Paulo em 2009, outro no Goiania Noise em 2003 (?!) e mais uma pá de outros shows nostálgicos. Mas nenhum chega aos pés da experiência do show de Recife. Me pergunto desde então: O QUE FOI AQUILO?!


    Lembro que já ouvi analogias envolvendo Los Hermanos e Legião Urbana quando o assunto é a energia e devoção de seus fãs. Nunca assisti a um show da Legião, mas conheço quem já assistiu e que concorda com essa comparação.

    18 mil pessoas lotaram o pavilhão do Centro de Convenções de Olinda, em sua  maioria jovens que, naquele momento, transformaram o lugar em um templo religioso. Uma multidão de fãs que cantavam com louvor cada música, cada refrão, cada estrofe, CADA PALAVRA! Nem mesmo as falhas no sistema de som desanimavam o público que continuava entoando as músicas em um coro único, como se louvassem aos deuses, aos deuses barbados do rock poético e melancólico. E o irônico é que, anexo ao local do show, acontecia no mesmo momento um encontro religioso. Duvido que lá havia tamanha devoção a Deus como no pavilhão a Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo, Bruno Medina e Rodrigo Barba.


    Tamanha energia do público pernambucano transformou este no maior e melhor show de toda a carreira do Los Hermanos. E não sou eu que se atreve a essa afirmação, é Bruno Medina em seu blog Instante Posterior.


    Não só eu, mas todos os fãs do Los Hermanos, esperamos que esses shows temporões (Recife, Fortaleza e Salvador) sirvam para tocar o coração (e o bolso) de todos os integrantes, que deixem o egoísmo de lado e voltem a produzir novas músicas, novos álbuns e novos shows! Que continuem nos presenteando com outros momentos impares como este.

    E digo mais, que Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante finalmente entendam que, assim como John Lennon e Paul McCartney, separados, não são os gênios que, juntos, compõe, tocam e cantam o que mexe com o coração de seus fãs.

    PS: Os vídeos foram feitos por mim. Foi só o que consegui registrar e ainda com muita dificuldade. :) Estão em alta resolução (HD) prq agora sou chato até com vídeos feitos no estilo "bração mode on" :)

    quarta-feira, 20 de outubro de 2010

    Há! Pegadinha do Malan.. ops! da Unidas.

    Quantas vezes vocês já ouviram que alugar carro é sempre um bom negócio em viagens? Eu mesmo já disse várias vezes, alugo e sempre recomendo. Mas eis que descobri que é um bom negócio desde que você não tenha nenhuma avaria no carro, pois se tiver, prepare a paciência, o bom humor e principalmente o seu bolso.

    Em viagem a Recife no último dia 15, eu e meus companheiros de trip Polliana e Handerson optamos por alugar um carro. Nosso principal objetivo e motivo era o de assistir ao show dos Los Hermanos na sexta-feira a noite. O sábado e o domingo reservaríamos para dar uma esticada até a Praia dos Carneiros, Olinda e ainda um tour pelo Recife Antigo. Como estávamos em três, não tínhamos dúvida de que a melhor opção era a locação de um carro. O foi o que fizemos.


    Optamos pela Unidas Rent a Car, por ser uma velha companheira de locações e por ter quase sempre o melhor preço, considerando os descontos fornecidos pela parceria com a GOL e ainda o crédito de 300 milhas Smiles por diária. E claro, sempre optando em pagar pelo serviço de proteção especial.

    A viagem estava linda e maravilhosa até o momento da devolução do carro no aeroporto. Quando íamos para a Praia dos Carneiros uma pequena pedra acertou o pára-brisa e o trincou. Ok, vamos ter custos adicionais ao devolver o carro. Mas se isso acontecer com o meu carro o seguro cobre mediante franquia específica, aliás, qualquer seguro decente cobre, certo? Não! O das locadoras de veículos não! Vou falar específicamente da Unidas, pois foi com ela que descobrimos esse easter egg embutido no contrato. O seguro não é seguro. É uma participação em despesas. Há! E sua participação é até um valor limite X, no nosso caso R$ 1500,00. Só o quer for além deste valor é que o pseudo seguro cobre. Ok, mas isso funciona como as franquias dos seguros comuns, certo? Sim! Só que não há participações específicas como nos seguros tradicionais para avarias em vidros e faróis. Resultado, tivemos que indenizar a Unidas em R$ 640 pelo pára-brisa avariado. Isso depois de uma extensa negociação com a área jurídica, pois o valor inicial era de R$ 940 e sob forte ameaça de que se não aceitássemos o acordo, poderiam nos cobrar - através da pré-autorização feita no cartão de crédito - o valor inicial e diárias adicionais pelo tempo que o carro supostamente ficaria parado para a reposição do pára-brisa.

    A pequena grande avaria
    E sabe o que é mais irritante? Recebemos o carro todo arranhado, amassado e raspado. Se cobram dos clientes o reparo, por quê não arrumam? O que fazem com o dinheiro que cobram? Só imagino uma resposta: Embolsam!

    Me deixa mais indignado ainda o fato de que, mesmo que você dirija corretamente, respeite as leis de trânsito e seja um bom menino, seu bolso não ficará isento de um prejuízo como este, até mesmo optando (ou sendo obrigado)  a pagar, como já disse,  um pseudo seguro.


    Solicitamos a Unidas que ela tenha ao menos a dignidade de nos comprovar que a substituição do pára-brisa será realmente feita. Serão transparentes a este ponto? Aguardem cenas do próximo capítulo.

    Por isso, fica a dica: Ao alugar um carro, leve em consideração no seu orçamento de viagem o risco de incidentes não cobertos pelas proteções especiais. Leia previamente o contrato, questione as proteções especiais e suas coberturas, se informe dos valores de participação e só então decida pela locação. Confesso que daqui por diante pensarei N vezes antes de fazer esta escolha. E dependendo da transparência da Unidas, em voltar a ser cliente e até mesmo recomendá-la.

    UPDATE 30/10: A briga com a Unidas ainda está rendendo. Já saiu do SAC e foi parar na Ouvidoria. Nos negam o fornecimento de comprovante destacando que pagamos pela substituição de um para-brisa. Na primeira tentativa, o recibo veio incluído como se fossem diárias, reclamamos e alteraram faturando a avaria como "outros". Tornamos a reclamar e alegaram que não podem faturar como substituição de para-brisa pois a natureza da atividade da empresa é locação de veículos e a cobrança de avarias já é prevista no contrato. Ou seja, um belo de um tiro no pé. Se a natureza da atividade deles é a de locação de veículos e cobram pela substituição de uma peça, mesmo prevista em contrato, prq não  faturam como tal? Se não pode ser faturada por eles, logo não pode ser vendida e muito menos tributada (razão de tentarem faturar como diárias e "outros"). Só posso supor que estão burlando a legislação fiscal. Alô SEFAZ de Pernambuco!

    terça-feira, 19 de outubro de 2010

    As regras e normas estúpidas da aviação civil

    Acredito que só as regras e normas religiosas (de qualquer religião) me irritem mais do que as impostas pela aviação civil. Isso vale para o mundo, não só para o Brasil.

    Quais dados, indicadores e pesquisas científicas que levam a criação delas? Alguém já explodiu um avião com uma bomba líquida dentro de um frasco de filtro solar de volume superior a 100ml?  Alguém já rendeu um piloto e toda a tripulação de uma aeronave com um cortador ou lixa de unha? E chave de fenda? Creio que nem o saudoso MacGyver conseguiria.

    By César - Jornal da Manhã (SC)
    E os celulares? Quantos aviões cairam por interferência de celulares?
    E o mais bizarro, celulares em modo avião interferem em Airbus mas não em Boeings? Pois na GOL é permitido o uso de celulares neste modo, na TAM não. Onde está a coerência? Insano? Muito! E a Ryanair, cia aérea low cost da Europa, consegue ser mais insana obrigando os passageiros a fechar a janela durante o pouso e a decolagem. WTF?

    Mas a gota d'água foi no último final de semana quando eu voltava de Recife para Brasília. Fui obrigado a passar minha carteira e meu cartão de embarque no raio-x. Sim, o cartão de embarque! E quando questiono ouço um: "São normas, senhor." Sim, são normas.. normas estúpidas!

    Por que as autoridades reguladoras não investem seu tempo e sua capacidade de encher o saco do já sofrido passageiro para um controle eficaz e seguro na triagem das bagagens, evitando os furtos e extravios? Para isso há dados indicadores de sobra para a implantação de normas. Já parou para pensar quantas vezes você foi abordado no desembarque solicitando a apresentação do tíquete que comprove que aquela bagagem é a sua? Eu não lembro a última vez. Confiam que você é uma pessoa de bem ao recolher a bagagem, mas no embarque você é um terrorista até que prove o contrário.


    E que tal também investir tempo na reforma e adequação dos aeroportos que não acompanharam o crescimento da economia do país e nem da aviação comercial?

    ANAC? Infraero?

    quarta-feira, 6 de outubro de 2010

    Los Roques: um paraíso perdido na América do Sul - Parte 4 (final)


    • Dicas e Informações Gerais

    Moeda: Bolívar Forte (BsF)
    Idioma: a língua oficial é o Espanhol, mas o Portunhol e o Italianhol também vale.
    Fuso horário: GMT -04:30 1 hora e meia a menos que o horário de Brasília (sem horário de verão).
    Visto: brasileiros não necessitam de visto.
    Eletricidade: 110V – leve um adaptador universal de tomadas para carregar os seus gadgets.


    • Câmbio

    Esqueça o Real. A moeda que você deve levar para cambiar na Venezuela é o dólar. Troque antecipadamente no Brasil. E se você é daquelas pessoas - assim como eu - que acha câmbio uma coisa confusa e chata de lidar e entender, prepare-se para o câmbio venezuelano. Você irá rever seus patamares. Hugo Chávez e suas medidas protecionistas e insanas congelou e segmentou o câmbio oficial. Com isso o câmbio paralelo corre solto. Para se ter uma idéia o quão grande chega ser a diferença: no oficial 1 US$ = 2,15 BsF. No paralelo 1 US$ chega a ser trocado por 8 BsF. 

    Tamo rico! Bora fugir pro Caribe? :)


    O assédio dos venezuelanos aos turistas estrangeiros é absurdo. Estão loucos pelas suas doletas. Você será assediado já na esteira do aeroporto. Lemos muito que o câmbio é mais vantajoso no aeroporto de Caracas do que em Gran Roque, ou que você deve cambiar no aeroporto somente o necessário para pagamento das taxas e a maior parte deixar para trocar na ilha. Mas o que aprendemos é que não existe uma fórmula exata. Tudo vai depender da época e do momento. O ideal é que antes você consulte pessoas que retornaram de lá recentemente (uma boa dica é a comunidade de Los Roques no Orkut) para saber como está o câmbio no aeroporto e em Gran Roque e só então monte a sua estratégia de troca. Mas independente do local, pesquise e barganhe bastante. No aeroporto depois de muita negociação, trocamos na cotação de BsF 6.5. Pensamos que tínhamos feito um bom negócio até encontramos outra pessoa oferecendo a cotação de BsF 7.

    Apesar da nossa troca ter acontecido de forma bem tranquila, é bom ressaltar: O câmbio paralelo é proibido. Todo cuidado é pouco. E cuidado também com os espertalhões. Li relatos de pessoas que tiveram seus dólares trocados por notas falsas. Eles pegam para a troca e te devolvem dizendo que desistiram, mas trocando notas verdadeiras por falsas. A Carol Weiser bolou uma estratégia bacana para mitigar este risco, levando somente notas de 20 US$ (menos visadas para falsificação) e em lotes de cédulas grampeadas. Eu fiz o mesmo, só não grampeei. :)

    • O que levar na mala?

    No voo até Caracas é possível levar até 32kg, mas no teco-teco são só 10kgs (Caso haja excesso de bagagem, são cobrados 2 dólares por kg). Mas acredite, é suficiente. Você não vai precisar de grandes coisas além de muito protetor solar, hidratante próprio para o pós sol, repelente, câmera fotográfica, roupa de praia, e algumas roupas simples e leves para usar de noite. Nada de calças, sapatos ou jóias. Esqueça todo o luxo e formalidade em sua casa. Lá você não vai precisar de nada disso.


    É bom fazer a viagem de tênis e só levar uma havaiana. Garanto que não vai precisar de mais nada. O tênis fica para uma eventual subida ao antigo farol. Também é bom levar uma sapatilha de neoprene. Ela será sua grande companheira nas areias cheias de conchas e nos mergulhos junto aos corais. Se tiver o snorkel e nadadeiras, leve. Se não tiver, pode alugar na ilha. A própria Fabíola providencia esses acessórios (snorkel 25 BsF e nadadeiras 15 BsF).  Mas recomendo fortemente, além da compra da sapatilha de neoprene (R$ 60 em média) a compra de snorkel e nadadeiras no Brasil antes de ir. Por questões de higiene e até de adaptação do equipamento. Foi só depois de uns 3 dias é que encontrei um kit que adaptava ao meu rosto, que não entrava água ou que não machucava o meu pé. 



    • Bloqueador Solar e Repelente

    Todo tanto de bloqueador solar que você passe no corpo, é pouco. O sol é escaldante! Já saíamos da pousada besuntados de bloqueador dos pés a cabeça, literalmente. Repassávamos o bloqueador ao meio dia e novamente por volta das 16hrs. E mesmo assim, após 10 dias voltamos com um bronzeado absurdo. Recomendo além do bloqueador 50 para o corpo, outro específico para o rosto, não oleoso. Evita que seu rosto volte a adolescência depois deste tempo todo. E por incrível que pareça, outro pro cabelo. Evita que você queime o couro cabeludo. Frescura? Não. Funciona! Ainda mais se você já anda com o telhado ralo :) Fui resistente ao do cabelo por 2 dias, até minha cabeça começar a queimar e arder.

    E o repelente também é tão fundamental quanto o bloqueador solar. Gran Roque é infestada por pernilongos. As pousadas fornecem repelentes elétricos, mas não pense duas vezes antes de colocar na sua bagagem um repelente spray para o corpo - principalmente para as crianças - e até mesmo spray inseticida para borrifar o quarto antes de dormir. Melhor pecar pelo excesso do que pela falta. Odeio pernilongos! :)


    • Comunicação

    Celulares funcionam na ilha, desde que você solicite a sua operadora o roaming internacional. No meu caso, minha linha é da Vivo e funcionou perfeitamente em roaming pela Digicel (operadora local). Mas esqueça 3G. Contente-se com voz e sms. Existem algumas (vi duas) Lan Houses em Gran Roque onde também tem cabine telefônica. A ligação é barata: BsF 2 por minuto, independente se a ligação é para telefone fixo ou celular. Na Guaripete há Internet wi-fi, mas não dá pra confiar. Fica mais off line do que on. Observei que mesmo quando a ilha inteira estava sem energia elétrica, internet e telefones públicos fora do ar, os celulares funcionavam. Isso evidencia que pelo menos os no-breaks das torres têm boa autonomia. Mas oh, pratique o espírito do desapego tecnológico e curta o paraíso. Isso é o que importa :)



    • Chuveiro

    Nada de chuveiro elétrico. Não existe isso em Los Roques. Aliás, é proibido pelo Governo. Mas com o calor que faz na ilha, não dá para sentir falta.
    • Energia

    Hugo Chávez não dá moleza e regra até mesmo a energia. É comum toda a ilha ficar no escuro, e o pior, sem ar condicionado. É bom verificar se a pousada que você escolher tem gerador.

    • Entretenimento 

    Não há uma vida noturna agitada; televisão é algo raro; acesso á internet é limitado; só uma marca de cerveja (Polar), apenas quatro restaurantes/bares pequenos; e nada de hotéis, apenas pousadas, logo nada de salão de jogos, piscina, ou área de lazer. Garanto que você não vai sentir falta de nada disso, mas se realmente achar que vai precisar de algum passatempo, leve um bom livro.



    Em nosso último dia chegamos a conhecer o Aquarena, um dos raros locais para se ir a noite em Gran Roque. É uma espécie de Sushi-Surf-Bar bem agradável. Fomos em nossa última noite em Los Roques como forma de despedir dos nossos amigos brasileiros e venezuelanos.

    Parte da turma no Aquarena
    • Marine Pack

    O Marine Pack é uma caixa estanque que viabiliza o mergulho com a câmera fotográfica para que você faça imagens e grave vídeos debaixo d'água. O resultado é incrível e faz valer a pena cada centavo do caro investimento. Minha câmera é uma Cybershot Sony WX1 e o Marine Pack original da Sony para este modelo é o MPK-WEB. Custa quase o preço da câmera. Adquiri nos EUA por aproximadamento US$ 250. No Brasil você encontra no Mercado Livre por até R$ 900.



    • Quer ir de co-piloto?

    No retorno a Caracas se te perguntarem se quer voltar de co-piloto, diga SIIIIMMM e já saia correndo para pegar o lugar antes que alguem dispute contigo. A experiência é única e fantástica. É algo que eu nunca irei esquecer. Pensem em garoto feliz? Era eu de co-piloto babando e prestando atenção naquele monte de instrumentos e ouvindo a comunicação entre o piloto e a torre de comando :)


    Criança feliz :)

    •  Considerações finais

    Lá no meu primeiro post, antes do embarque, eu disse que Los Roques era a chance que a Venezuela tinha de se redimir comigo.  Eu já a tinha vetado dos meus objetivos turísticos tamanha fora a decepção. Mas essa viagem mudou tudo. É como se eu estivesse em outro país, diferente daquele visitado em 2005, quando estive em Isla Margarita. Não era aquele onde eu tinha odiado a comida, me decepcionado com as praias e com a recepção pouco calorosa do povo venezuelano. Mas se essa for realmente a Venezuela padrão, prefiro então ficar só com a boa imagem, a imagem da Venezuela "roquenha". :)


    Gran Roque

    Agora chega até ser covardia fazer comparações. Não há como! O Arquipélago de Los Roques é muito particular e único. Sem sombra de dúvidas o melhor e mais belo pedaço do caribe venezuelano. Só não arrisco dizer do mundo por não conhecer os demais. Mas há quem defenda essa afirmação com muita propriedade.

    Se volto? Sim, e como volto! ;)

    E espero ter contribuído e retribuído as preciosas informações que obtive na blogosfera para a realização desta viagem. Que venha a próxima!